Olá, famílias e profissionais...

Esse blog é destinado as famílias, profissionais e interessados pela temática, que atuam na educação de suas crianças com necessidades educacionais especiais (NEEs). Espero poder ajudá-los nessa caminhada de educação e inclusão social.
Devemos, portanto, tratar os nossos alunos com NEEs como pessoas e educá-los para a vida (CUCCOVIA, 2000).

domingo, 6 de novembro de 2011

Incluindo autistas na ciência

Quando se fala em indivíduos autistas, a maioria imagina pessoas isoladas socialmente, com dificuldade em comunicação e envolvidas em comportamentos repetitivos e estereotipados. De fato, para ser considerado dentro do espectro autista, basta apresentar sintomas relacionados a essas características. Porém, essa definição é restrita, rasa, e não reflete a condição autista em sua totalidade. O lado positivo do autismo é pouco lembrado, o que contribui para problemas de inclusão social.
Indivíduos autistas são extremamente focados e conseguem se dedicar a uma atividade especifica por muito tempo. Em geral, essa dedicação vem acompanhada de uma atenção aos detalhes, sensibilidade ao ambiente e capacidade de raciocínio acima do normal, o que colocaria essas pessoas em vantagem em determinadas situações. Uma dessas situações está presente justamente em alguns aspectos do processo científicos.
A ciência não vive apenas de criatividade e pensamento abstrato. Na verdade, a maioria dos cientistas segue uma carreira metódica, racional, com incrementos sequenciais no processo de descoberta científica. Esse trabalho exige atenção e dedicação acima do normal, por isso mesmo cientistas acabam sendo “selecionados” para esse tipo de atividade. O momento de “eureca” é extremamente raro na ciência.
Da mesma forma, são raros os casos de autistas superdotados, com capacidades extraordinárias. Esse tipo de característica, retratada no filme RainMan, acaba ajudando esses indivíduos a se estabelecerem de forma independente. É o caso de Stephen Wiltshire que vive de sua arte porque consegue desenhar em três dimensões uma cidade inteira após sobrevoá-la de helicóptero uma única vez. Mas e no caso dos outros indivíduos, que não necessariamente possuem uma habilidade tão evidente? Será que poderíamos incorporá-los em alguma outra atividade aonde suas características sejam de grande vantagem?
Indivíduos autistas usam o cérebro de forma diferente. Regiões do cérebro relacionadas ao processo visual são, em geral, bem mais acentuadas. Por isso mesmo, autistas conseguem perceber variações em padrões repetidos mais rapidamente e com mais precisão do que pessoas “normais”, ou fora do espectro autista. Autistas também superam não-autistas em detectar variações em frequências sonoras, visualização de estruturas complexas e manipulação mental de objetos tridimensionais.
Retardo intelectual é, quase sempre, relacionado ao autismo. Mas vale lembrar que a maioria dos testes utiliza linguagem verbal, o que coloca os autistas em desvantagem. Esse tipo de abordagem merece uma revisão mais criteriosa. Aposto que se refizéssemos algumas dessas pesquisas os resultados seriam diferentes e contribuiriam para a redução do preconceito.
Muitos autistas poderiam ser aproveitados pela academia. Desde cedo, esses indivíduos demonstram profundo interesse em informações, números, geografia, dados, enfim, tudo que é necessário para a formação de um pensamento científico. Além disso, possuem capacidade autodidática e podem se tornar especialistas em determinada área – ambas as características são importantes no cientista. Algumas das vantagens intelectuais (e mesmo pessoais) de indivíduos autistas acabam sendo atraentes em laboratórios científicos. Não me interprete mal, não estou sugerindo o uso de autistas como objeto de estudo (o que já acontece e é útil também), mas como agentes da descoberta cientifica.
Tenho certeza de que poderíamos incluir cientistas autistas no contexto de descoberta cientifica atual e explorar esse tipo de inteligência. Um exemplo disso é o laboratório do Dr. Laurent Mottron, que trabalha com a cientista-autista Michelle Dawson faz 7 anos. Laurent descreveu recentemente sua experiência empregando cientistas autistas na última edição da revista Nature. Michelle tem a capacidade de manusear mentalmente um número enorme de dados ao mesmo tempo, faz isso naturalmente. E enquanto não conseguimos nem lembrar o que vestimos ontem, autistas como Michelle nos surpreendem com uma memoria impecável.
Ela recorda todos os dados gerados do laboratório e tem papel fundamental no desenho de experimentos de outros cientistas. Juntos, Laurent e Michelle já assinaram mais de 14 trabalhos juntos. Outro exemplo clássico é Temple Grandin, autista que obteve seu PhD em veterinária e, usando seu raciocínio visual, desenvolveu novos protocolos para redução de estresse em animais para o consumo de carne. Grandin é atualmente professora da Universidade Estadual do Colorado, nos EUA.
Acredito que autistas podem dar uma contribuição excepcional para o mundo se conseguirmos colocá-los no ambiente ideal. É um desafio social, mas que começa com a conscientização da condição autista. Organizações internacionais já existem com a finalidade de auxiliar autistas a se encaixarem no mercado de trabalho. Exemplos são as firmas Aspiritech, nos EUA, e Specialisterne, na Holanda. Com o tempo, outros lugares vão perceber que a mão-de-obra autista é extremamente especializada e começarão a explorar esse nicho.
Obviamente o autismo traz limitações, como o entrosamento social, problemas motores e a dificuldade de comunicação. Com isso, eles não vão conseguir se adaptar facilmente a trabalhos que envolvam comunicação social intensa. Em casos mais graves, muito provavelmente, vão depender da sociedade por toda a vida. Ignorar essas limitações é tão prejudicial quanto ignorar as vantagens que o autismo pode oferecer nos casos mais leves. Talvez o maior reflexo de uma sociedade avançada esteja em como ela acomoda suas minorias. Enquanto as oportunidades terapêuticas para o autismo não chegam, acredito que o que esses indivíduos mais precisam agora seja respeito, inclusão e, acima de tudo, oportunidades.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Semana da divulgação sobre a Dislexia - 31/10 a 06/11/2011


Participe e envolva-se nesta iniciativa para que cada vez mais as pessoas com Dislexia possam ser reconhecidas e recebam a ajuda necessária na escola, no trabalho e de suas famílias !


O Instituto ABCD está preparando  uma série de vídeos informativos sobre o tema, com especialistas da área que serão divulgados durante a semana.
Queremos estimular que todos participem e façam a diferença! Enviem fotos , depoimentos, histórias e descrição de suas atividades, em sua escola, em seu trabalho, em sua cidade.
Pelo Email: contato@institutoabcd.org.br ou pela página do Facebook IABCD
A Equipe do Instituto ABCD irá reunir esse material e divulgar ainda mais a importância do conhecimento sobre a Dislexia.
Acesse abaixo material para divulgação:
Outras sugestões para sua participação: Campanha Semana Divulgação Dislexia
Acesse aqui para ver eventos que algumas organizações estão planejando.


Fonte: www.institutoabcd.org.br


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Terapias de neurofeedback e outros treinamentos cerebrais, como a meditação, para o tratamento de epilepsia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Macaco faz meditação para ganhar marshmallow

Pesquisa com animais pode ajudar em tratamento para epilepsia, déficit de atenção e ansiedade

por New Scientist
Editora Globo
Pessoas meditam para atingir a iluminação. Macacos meditam por comida, em especial, por marshmallows. Os primatas foram treinados pela equipe do Centro de Pesquisa Biomédica com Primatas em Rijswijk, na Holanda, para entrar em estrado de transe ganhando um doce como recompensa. Dois dos quatro macacos treinados aprenderam a entrar em estado de meditação com duas sessões de treinamento. Os outros dois aprenderam em quatro sessões.
Os resultados mostram que é possível testar terapias de neurofeedback e outros treinamentos cerebrais para o tratamento de epilepsia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Nos macacos, esses métodos não teriam o efeito placebo que os humanos costumam ter. Os animais podem não perceber que estão mudando suas ondas cerebrais, mas os resultados mostram que eles podem mudar seu humor e estado de mente conscientemente.
O neurofeedback ensina a pessoa a regular suas ondas cerebrais a controlar seu estado de mente medindo a atividade elétrica do cérebro e mostrando a ela essa informação. Mas até agora tem sido difícil perceber se a melhora ocorre devido ao efeito placebo ou à técnica de neurofeedback.
Pesquisas com animais podem ajudar porque eles não sentem o efeito placebo que humanos sentem, pelo conhecimento da doença e da terapia. Além disso, os pesquisadores podem examinar a estrutura do cérebro dos animais para verificar se o neurofeedback tem algum efeito físico – o que não seria possível em humanos.
Para descobrir se é possível treinar macacos a fazer o neurofeedback, os cientistas colocaram eletrodos no cérebro dos animais para registrar seus sinais elétricos. Em vez de mostrar a tela com os sinais aos macacos, como fazem em humanos, eles dão um marshmallow como recompensa toda vez que o macaco atinge uma certa frequência cerebral – em torno dos 12 e 26 hertz.
Em humanos, essa frequência é associada a um estado de mente relaxado porém focado, como a meditação. Os macacos, quando fazem isso, parecem tranquilos, mas ao mesmo tempo parecem estar prestando atenção em alguma coisa, dizem os pesquisadores.

domingo, 28 de agosto de 2011

Pesquisa pode caracterizar diferentes níveis de autismo !


Um estudo realizado no Laboratório de Visão do Instituto de Psicologia (IP) da USP, busca contribuir no campo do diagnóstico, ao verificar se é possível diferenciar o autismo de alto funcionamento da síndrome de Asperger. Para isso, a pesquisa comandada pela psicóloga Elaine Zachié analisou o desempenho de pacientes em testes neuropsicológicos computadorizados.
Os testes avaliam itens como atenção, memória, raciocínio, planejamento, controle do comportamento e tomada de decisão e podem ajudar clarear o debate atual entre autores na literatura científica. A importância da diferenciação dos transtornos é que isto proporcionará mais precisão no encaminhamento dos pacientes e também melhoria na elaboração de estratégias de tratamento, para que eles se desenvolvam nas características em que apresentam dificuldades. "Se colocarmos todos (os pacientes) em um grupo só, podemos deixar de dar uma assistência específica para o que cada um está precisando", explica a pesquisadora.
Os tratamentos para estes casos incluem, por exemplo, atividades educacionais em grupo que os ajudam a lidar melhor com interações cotidianas, e terapia com animais, para que os pacientes saibam identificar sentimentos e também expressá-los. Desde que seus portadores sejam corretamente encaminhados, o autismo de alto funcionamento e a síndrome de asperger têm uma boa perspectiva de melhora. "O prognóstico é melhor porque estes pacientes têm uma capacidade intelectual e de comunicação maior do que em outros tipos de autismo", justifica a psicóloga Elaine Zachi.
Para a pesquisadora, mesmo que a família em geral não receba a notícia de que tem um filho autista de uma maneira muito boa, é importante que ela saiba que os portadores conseguem ter uma vida normal. "Com algumas dificuldades, sim, mas, dependendo do caso, podem ter seu trabalho, casar e serem independentes", completa.

sábado, 13 de agosto de 2011

Gene do TDAH é ligado ao autismo

Pesquisadores canadenses identificaram novos genes relacionados ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Desenvolvido em parceria pelo  Hospital for Sick Children (SickKids) e Universidade de Toronto, o estudo indica ainda que esses genes têm ligação, também, com o autismo. A pesquisa foi publicada na edição on-line do periódico Science Translational Medicine.
Segundo o levantamento, os genes do TDAH estariam relacionados ainda a outras condições neuropsiquiátricas, como as desordens do espectro autista (DEA) – entre elas, o autismo e a síndrome de Asperger. Durante a pesquisa foram usados microarrays, ou chips de DNA, uma técnica experimental da biologia molecular que se caracteriza por lâminas de vidro nas quais segmentos de fita-única são fixados e imobilizados de forma ordenada e em áreas específicas. Na lâmina, cada célula de sonda contém milhões de cópias de um determinado transcrito, ou um segmento gênico em particular, que pode posteriormente ser identificado.
Os cientistas procuraram, então, por variantes no número de cópias (CNVs), que são inserções ou exclusões que afetam os genes, no DNA de 248 pacientes que não foram relacionados ao TDAH. Em três das 173 crianças das quais o DNA de ambos os pais estava disponível, eles encontraram CNVs espontâneos, que ocorrem quando os pais não são afetados - as mutações são novas apenas para a criança. CNVs raros que foram herdados de pais afetados foram encontrados em 19 dos 248 pacientes.
Dentro do grupo de CNVs herdadas, os pesquisadores descobriram alguns dos genes que haviam sido previamente identificados com outras condições neuropsiquiátricas, incluindo DEA. Para explorar essa sobreposição, testaram um grupo diferente para CNVs. Eles descobriram, então, que nove das 349 crianças no estudo que haviam sido diagnosticadas previamente com DEA, carregavam CNVs relacionados com o TDAH e outras desordens.
Conclusões – A descoberta dos pesquisadores sugere que alguns CNVs que desempenham um papel causal no TDAH, também demonstram genes de suscetibilidade comum no TDAH, no DEA e em outras desordens neuropsiquiátricas. “Como DEA, casos de TDAH são em grande parte únicos”, diz Russell Schacar, um dos coordenadores do estudo. “Pessoas carregando o mesmo CNVs podem ter sintomas diferentes, já que o risco não é sempre o mesmo”, diz.
De acordo com o estudo, a maioria dos indivíduos com TDAH também têm ao menos uma outra condição, como ansiedade, problemas de humor, desordens de conduta ou linguagem. Mais de 75% das pessoas com DEA também têm TDAH. “Muitos desses problemas associados provavelmente surgem do fato de que eles estão compartilhando o risco genético para diferentes condições”, diz Schachar.
De acordo com Stephen Scherer, coautor do estudo, os pesquisadores, em geral, não tendem a olhar através dos distúrbios com muita frequência, vendo neles diferentes sinais. “Esse método, talvez, seja uma das descobertas mais excitantes na genética neuropsiquiátrica e pode começar realmente a redefinir como pensamos sobre essas condições neuropsiquiátricas”, diz.
Para Schachar, esses são provavelmente os fatores genéticos que aumentam o risco para vários tipos de distúrbios neuropsiquiátricos. “É um enorme desafio para nós descobrir o que leva a um caso de TDAH e o que leva a um caso de DEA. Existem muitas possibilidades diferentes para explicar por que riscos comuns podem se manifestar em diferentes tipos de doenças" diz. Os pesquisadores esperam agora que novas investigações sejam realizadas para determinar essa relação de causalidade

Fonte: www.veja.abril.com.br.